Portugal

Quase metade dos adultos portugueses só consegue compreender textos curtos

Publicado dia 09/09/2025 às 18h45min
Quase metade dos adultos portugueses só consegue compreender textos curtos

Quatro em 10 portugueses entre os 25 e 64 anos só conseguem compreender textos simples e curtos, segundo um relatório divulgado hoje que mostra Portugal entre os países com níveis mais baixos de proficiência em literacia.

É preciso chegar quase ao final da tabela publicada no relatório "Education at a Glance 2025", divulgado hoje pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), para encontrar Portugal, divulgou ontem o jornal Diário de Notícias.

Os dados sobre literacia em Portugal continuam a revelar uma realidade preocupante: quase metade dos adultos apresenta dificuldades em compreender textos longos ou mais complexos. Isso significa que, embora consigam ler, a interpretação de informações mais extensas, estruturadas ou abstratas torna-se um desafio.

Este cenário vai muito além da leitura em si. A capacidade de compreender textos está diretamente ligada à inclusão social, ao acesso ao mercado de trabalho, à participação cívica e até à qualidade de vida. Num mundo onde grande parte da informação circula em formatos escritos – seja em contratos, manuais, notícias ou serviços digitais – a literacia é uma chave de autonomia.

A situação portuguesa tem raízes profundas. O atraso histórico no acesso à educação, desigualdades sociais e culturais, e a fraca tradição de leitura contribuíram para um nível médio de literacia inferior ao da média europeia. Mesmo entre as gerações mais jovens, as dificuldades persistem, evidenciando que a escola, sozinha, não resolve o problema: é preciso um ambiente social que estimule o gosto pela leitura e pela aprendizagem contínua.

Por outro lado, vivemos numa época de textos cada vez mais curtos e imediatos – posts em redes sociais, mensagens instantâneas, títulos apelativos. Isso pode reforçar a tendência de uma leitura rápida e superficial, deixando de lado a reflexão crítica necessária para lidar com a complexidade do mundo.

Investir em políticas públicas de literacia, fomentar bibliotecas comunitárias, incentivar a leitura desde a infância e valorizar práticas de educação ao longo da vida são caminhos essenciais. Não se trata apenas de formar leitores mais competentes, mas de construir cidadãos mais informados, críticos e capazes de participar plenamente na sociedade.

Porque compreender um texto é também compreender o mundo.

Fonte: Redação