Política
Premiê da Dinamarca diz que ataque de Trump seria o fim da Otan
Premiê da Dinamarca diz que ataque de Trump seria o fim da Otan
Intervenção militar de Washington na Venezuela reacendeu os temores em relação à Groenlândia, território autônomo dinamarquês, que possui importantes recursos minerais ainda inexplorados.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, advertiu, nesta segunda-feira (5) que, se os Estados Unidos atacarem um aliado da Otan, então "tudo para".
Frederiksen respondeu a ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, que insistiu em seu desejo de anexar a Groenlândia aos EUA.
Desde o início de seu segundo mandato, há um ano, o presidente republicano não esconde seu interesse por esta ilha localizada em uma região que ganha cada vez mais importância geoestratégica.
Trump insistiu na anexação da Groenlândia no domingo, apesar dos apelos das autoridades da ilha e de Copenhague para que Washington respeite sua integridade territorial.
"Precisamos da Groenlândia para garantir a segurança nacional e a Dinamarca não é capaz de fazer isso", disse Trump a jornalistas a bordo do avião presidencial Air Force One quando questionado sobre o assunto.
Nesta segunda, o Ministério das Relações Exteriores chinês instou os Estados Unidos a "pararem de usar a chamada ameaça chinesa como desculpa para buscar benefícios pessoais".
Na noite de domingo (4), Frederiksen já tinha elevado o tom contra as declarações de Trump, ao pedir que Washington parasse de ameaçar seu "aliado histórico" e um território e um povo "que disseram claramente que não estão à venda".
Nesta segunda, vários líderes europeus declararam apoio às declarações da Dinamarca e da Groenlândia.
Anitta Hipper, porta-voz da diplomacia europeia, afirmou que a UE espera que seus aliados respeitem a integridade territorial dos Estados-membros.
A Dinamarca é um aliado histórico e tradicional dos Estados Unidos, dos quais compra a maior parte de seu armamento.
O reino, que inclui as ilhas Faroe e a Groenlândia, integra a Otan desde a criação da Aliança Atlântica.
"Temos a Otan e penso que fará o que for preciso aqui [na Dinamarca]. Isso espero!", disse à AFP Marianne Larsen, uma aposentada dinamarquesa.
As tensões entre os dois países já tinham escalado no fim de dezembro, quando Trump anunciou a nomeação de um enviado especial para a Groenlândia.
Em janeiro de 2025, 85% dos groenlandeses se disseram contrários a que seu território seja anexado pelos Estados Unidos, segundo uma pesquisa divulgada pela imprensa local. Apenas 6% se disseram favoráveis à anexação.















