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Javalis deixam de ser presença rural e chegam ao coração de cidade portuguesa
Javalis deixam de ser presença rural e chegam ao coração de cidade portuguesa
A presença crescente de javalis dentro das localidades, incluindo em ruas e zonas habitacionais, está a preocupar a Câmara Municipal de Mação. A autarquia convocou para 11 de setembro uma reunião com as cinco associações de caçadores do concelho, com o objetivo de encontrar medidas que permitam controlar a população destes animais.
O Município emitiu também um aviso à população, apelando para que não sejam deixados sacos de lixo, restos de comida ou outros alimentos acessíveis na via pública. Os munícipes são ainda aconselhados a manter os contentores devidamente fechados e a não alimentar os javalis, mesmo quando pareçam inofensivos.
“A presença de comida facilita a aproximação destes animais às zonas habitadas, podendo aumentar o risco de acidentes e situações de perigo para pessoas, animais de companhia e para os próprios javalis”, alerta a Câmara.
O presidente da Câmara de Mação, José Fernando Martins, confirmou aos jornalistas que o problema se tem agravado e já afeta praticamente todo o território concelhio.
“Cada vez chegam mais reclamações e queixas à Câmara sobre a população de javalis no nosso concelho. Inclusive, já aconteceram pedidos de indemnização à Câmara, como se fosse a Câmara a culpada por todos os estragos que os javalis cometem”, afirmou.
Entre as situações comunicadas ao Município encontram-se hortas destruídas, muros derrubados, caminhos obstruídos e acidentes envolvendo viaturas. Em alguns casos, a autarquia tem sido chamada a disponibilizar máquinas para remover pedras e outros materiais deixados nas estradas após a destruição de paredes.
Segundo José Fernando Martins, os animais já não aparecem apenas nas hortas e nos terrenos situados em redor das povoações.
“Estamos a falar de zonas urbanas, das ruas das aldeias e das ruas da vila”, sublinhou, indicando que têm sido avistados e filmados javalis na entrada sul de Mação. O autarca recordou ainda que, há cerca de um ou dois anos, também foram detetados animais nos quintais existentes nas traseiras dos Paços do Concelho.
O presidente da Câmara relaciona a aproximação dos javalis com o abandono de terrenos agrícolas e a redução das áreas cultivadas.
“Há 20 ou 30 anos, quando se falava em javali, era uma espécie rara. Hoje encontram-se com toda a facilidade”, afirmou. “Antes tinham comida em todo o território, porque as hortas eram cultivadas. Hoje existem muitos matos e os javalis, como qualquer outro animal, sentem a necessidade de se aproximar das aldeias e das casas.”
Os resíduos mal acondicionados e os alimentos deixados junto aos contentores tornam-se, assim, uma fonte fácil de comida. A habituação à presença humana pode fazer com que os animais regressem repetidamente às mesmas zonas.
Além dos prejuízos provocados nas propriedades e do perigo para a circulação rodoviária, José Fernando Martins alerta para os riscos da presença destes animais junto das populações, sobretudo para crianças e idosos.
“O animal pode não atacar, mas também pode atacar, nomeadamente se for uma fêmea acompanhada pelas crias”, advertiu.
Cinco associações convocadas para reunião
A Câmara quer assumir a coordenação de uma resposta local e envolver as cinco associações de caçadores existentes no concelho. Todas foram já contactadas para participarem na reunião de 11 de setembro.
O objetivo é avaliar a possibilidade de reforçar ações como esperas, batidas ou montarias, dentro das regras e autorizações aplicáveis, e perceber de que meios necessitam as associações para colaborar no controlo da densidade populacional.
“Queremos saber quais são as condições de que as associações podem precisar e estamos disponíveis para participar num trabalho conjunto”, declarou o autarca. A intenção passa por garantir uma cobertura de todo o concelho, tendo em conta que as associações apresentam diferentes níveis de disponibilidade e capacidade operacional.
A Câmara tem também pressionado o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), entidade com competências nesta matéria, para que sejam encontradas respostas para o aumento do número de animais.
















