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Por que a Suíça vai decidir se limita sua população a 10 milhões de pessoas

Publicado dia 01/03/2026 às 21h45min
Por que a Suíça vai decidir se limita sua população a 10 milhões de pessoas


A Suíça vai às urnas em 14 de junho para decidir se limita sua população a 10 milhões de habitantes até 2050. A proposta é liderada pelo Partido do Povo Suíço (SVP), legenda de ultradireita com maior bancada no Parlamento, e reacende o debate sobre imigração, mercado de trabalho e relações com a União Europeia.

Atualmente, a Suíça tem cerca de 9,1 milhões de habitantes, número que já se aproxima do limite proposto. Aproximadamente 30% dos residentes nasceram no exterior, a maioria oriunda de países da União Europeia. Parte desse grupo já adquiriu cidadania suíça.

O que prevê a proposta
A iniciativa estabelece que o governo deverá agir antes que a população atinja o teto de 10 milhões. Se o número de residentes permanentes chegar a 9,5 milhões antes de 2050, o Executivo será obrigado a adotar medidas para frear o crescimento populacional. Isso inclui restringir a entrada de novos imigrantes, como solicitantes de asilo e familiares de estrangeiros que vivem no país, além de rever políticas de reunificação familiar e concessão de permissões de residência.

Caso o limite de 10 milhões seja atingido, o governo poderá ser compelido a encerrar o acordo de livre circulação de pessoas com a União Europeia, principal parceira comercial da Suíça. Segundo a Reuters, o texto determina que, se o teto for ultrapassado de forma permanente, as autoridades deverão adotar "todas as medidas cabíveis" para restabelecer o limite, incluindo a rescisão do tratado.

Argumentos do partido
O SVP sustenta que a proposta busca conter o que classifica como crescimento populacional excessivo. Em comunicado oficial, o partido afirma que uma "pequena elite econômica" se beneficia da ampliação da imigração, enquanto a maioria da população enfrentaria aumento no custo de vida, pressão sobre serviços públicos e alta nos aluguéis.

A legenda argumenta ainda que mais de 200 mil pessoas passaram a residir na Suíça no último ano, somando imigração regular e pedidos de asilo. Para o partido, esse volume é elevado para um país de dimensão territorial limitada.

Governo e empresários veem risco econômico
Conselho Federal, órgão colegiado que exerce o Poder Executivo e reúne representantes de diferentes partidos, recomenda rejeição da proposta. Em mensagem oficial publicada em março de 2025, o governo afirmou que a iniciativa "colocaria em risco a prosperidade da Suíça, comprometeria o funcionamento da sociedade e ameaçaria o caminho bilateral com a União Europeia".

De acordo com o governo suíço, a imigração responde principalmente à demanda da economia por mão de obra. O envelhecimento populacional exigirá trabalhadores estrangeiros também nas próximas décadas para manter a competitividade e o funcionamento do sistema de saúde.

Entidades empresariais também se posicionaram contra a proposta. Informações do The Guardian afirmam que multinacionais como Roche, UBS e Nestlé alertam que a medida pode comprometer o acesso ao mercado europeu, destino de cerca de metade das exportações suíças. A organização Economiesuisse classificou o projeto como a "iniciativa do caos".

Quase metade da população é a favor, dizem análises recentes. Apesar da resistência institucional, pesquisas citadas pela Reuters e pelo The Guardian indicam que cerca de 48% dos eleitores se dizem favoráveis ou inclinados a apoiar a proposta, enquanto o restante se divide entre oposição e indecisos.

Fonte: Redação