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Futuro do time do Santa Clara dos Açores depende da manutenção de apoio regional
Futuro do time do Santa Clara dos Açores depende da manutenção de apoio regional
Por: Pollyanna Tâmara
O Santa Clara vive um momento de pausa e reflexão fora das quatro linhas, num contexto marcado por rumores, esclarecimentos públicos e negociações institucionais que poderão definir o futuro do clube nos Açores.
Nos últimos dias, circularam informações sobre uma eventual fusão da SAD do Santa Clara com outros clubes ou sociedades desportivas, cenário que foi categoricamente negado pelo presidente da SAD, Bruno Vicintin. Segundo o dirigente, não existiu qualquer contacto nesse sentido, afastando a hipótese de mudanças estruturais dessa natureza.
O ponto central da questão, no entanto, não passa por fusões, mas pela incerteza em torno da continuidade do apoio anual do Governo Regional dos Açores a partir da época 2026/27. Esse apoio, estimado em cerca de um milhão de euros, está associado à presença da marca “Açores” nas camisolas do clube e é considerado essencial para compensar os elevados custos logísticos decorrentes da insularidade.
Insularidade e sustentabilidade financeira
A realidade do futebol profissional nos Açores é distinta da do continente. Deslocações frequentes, viagens aéreas constantes e custos operacionais acrescidos tornam a sustentabilidade financeira um desafio permanente. De acordo com a SAD, sem esse apoio, torna-se economicamente inviável manter o projeto em São Miguel.
Vicintin admitiu que, num cenário extremo de retirada do apoio, a SAD poderia ser forçada a transferir a sua operação para o continente. O dirigente sublinhou, no entanto, que tal medida não implicaria mudança de nome, símbolo ou identidade do clube, tratando-se exclusivamente de uma questão financeira.
Investimento e compromisso com a região
A atual administração recorda que tem mantido um compromisso contínuo com os Açores, traduzido em investimentos significativos. Além do cumprimento das obrigações anuais da SAD, foram aplicados mais de seis milhões de euros no Centro de Treinos da Ribeira Grande, num projeto que criou empregos e reforçou a estrutura do clube na região.
Desportivamente, o Santa Clara alcançou marcos históricos, como a conquista da II Liga e a melhor classificação de sempre na Liga Portugal, resultados que reforçam a solidez do projeto e a sua importância para o futebol açoriano.
Governo Regional abre diálogo
Do lado institucional, o presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, confirmou estar em contacto com a SAD do Santa Clara, manifestando abertura para o diálogo e para a procura de soluções. O governante reconheceu a complexidade do processo e a necessidade de entendimento entre todos os intervenientes envolvidos no desporto e no futebol profissional.
Um momento decisivo
Mais do que uma crise, o Santa Clara atravessa um momento decisivo. O que está em causa não é apenas o futuro de uma SAD, mas a continuidade de um projeto que representa os Açores nas principais competições nacionais.
Num cenário que exige responsabilidade, diálogo e visão estratégica, o apoio institucional surge como fator determinante para garantir que o futebol profissional continue a ser jogado na região — e que o Santa Clara permaneça onde sempre pertenceu: nos Açores.


















